Vinland Saga: Por que mudei de ideia sobre o Thorfinn?
Decepcionado com a 2ª temporada de Vinland Saga? Descubra como a leitura de Vagabond mudou minha visão sobre o Thorfinn e a verdadeira força do pacifismo.
DICASANIMESMANGÁS
Rei Nerd
2/9/20264 min read
Fala, pessoal! Tudo certo por aqui? Se você acompanha o Rei Nerd, sabe que eu sou fascinado por histórias que nos tiram da zona de conforto e nos fazem questionar não só o enredo, mas a nossa própria visão de mundo. E hoje, eu quero abrir o jogo sobre a minha relação de amor, "ranço" e redenção com uma das obras mais viscerais da atualidade: Vinland Saga.
Se você é fã de animes e mangás, senta aí, pega um café e vamos trocar uma ideia sincera sobre por que eu mudei de opinião drasticamente sobre o Thorfinn.
O Impacto da Primeira Temporada: Um Início de Tirar o Fôlego
Eu lembro exatamente de quando assisti à primeira temporada de Vinland Saga. Foi um soco no estômago (do melhor jeito possível). Para mim, é facilmente uma das melhores estreias da história dos animes.
video de um canal que gosto muito sobre o inicio de Vinland saga
Tudo começa com a apresentação de Thors, o "Troll de Jom". Ele é a base moral de tudo. Um homem que já foi o guerreiro mais temido dos mares, mas que, ao descobrir o valor da vida, desertou de uma guerra infinita para viver em paz. A filosofia dele de que "um verdadeiro guerreiro não precisa de espada" é o que guia a obra, mesmo que a gente demore a entender isso.
A introdução do Thorfinn ainda criança, as lutas brutais, a animação impecável e um enredo extremamente coerente me deixaram maravilhado. E não tem como falar de Vinland sem citar o Askeladd. Na minha humilde opinião, ele é um dos melhores vilões — ou antagonistas complexos — já criados na história dos mangás e animes.
minha lista dos melhores Vilões
O Choque da Mudança: A Decepção e a Desistência
Naquela época, eu ainda não tinha o hábito de ler mangás. Então, quando a primeira temporada acabou, eu fiquei naquela ansiedade absurda. Porém, quando a segunda temporada finalmente estreou, eu já estava em uma fase de ler muito mais, e confesso: o anime me decepcionou.
A mudança de ritmo foi um balde de água fria. Eu decidi, então, ir direto para o mangá para ver se a experiência melhorava, mas aquela mudança drástica de personalidade do Thorfinn ainda não descia. Na minha cabeça, não fazia sentido ele ter ficado daquele jeito "passivo" após tudo o que viveu. Eu simplesmente não conseguia engolir e, por isso, acabei desistindo e parei de acompanhar por um tempo.
A Virada de Chave: O Mestre Takehiko Inoue
O que me fez dar uma nova chance para Vinland Saga não foi um trailer, mas sim a leitura de outra obra-prima: Vagabond, do mestre Takehiko Inoue.
Ler a jornada de Musashi Miyamoto mudou completamente a minha perspectiva sobre força e evolução espiritual. A forma como Inoue trata o amadurecimento do guerreiro me deu a maturidade necessária para olhar de novo para a obra de Makoto Yukimura.
Voltei para o mangá de Vinland com "outros olhos". De repente, eu passei a admirar profundamente o legado do Thors e, principalmente, a jornada de redenção do Thorfinn. Entendi que a verdadeira força não estava em empunhar duas adagas, mas em ter a coragem de negá-las.
Hild e o Peso do Perdão
Nesse meu retorno, fui apresentado à Hild. Que personagem incrível! Ela é, sem dúvida, uma das melhores figuras femininas dos mangás. A dinâmica entre ela e o Thorfinn é um lembrete constante do passado sangrento dele, e a cena em que ela finalmente o perdoa é de uma carga emocional absurda. Ali, eu percebi que a obra é sobre a dificuldade hercúlea de tentar ser uma pessoa boa em um mundo que te empurra para o caos.
A Chegada em Vinland e o Conflito Inevitável
Depois de tanta superação, finalmente acompanhamos o Thorfinn realizando o sonho de seu pai: chegar à terra prometida, Vinland. O início dessa colonização é lindo, focado na agricultura e na convivência com os nativos.
Porém, como a história nos mostra, a paz é frágil. Mesmo com o esforço genuíno de Thorfinn para criar uma terra sem armas, desconfianças e choques culturais começam a surgir, culminando no início de uma guerra que coloca à prova tudo o que o nosso protagonista construiu internamente. É agoniante ver o caos batendo à porta justo quando eles pareciam ter encontrado o paraíso.
O Ápice: "Eu não tenho inimigos"
Para fechar, preciso falar dos capítulos recentes, que são o ápice da filosofia de Yukimura. Após a guerra se instaurar, Thorfinn acaba ferido e é salvo pelo ancião Lnu. Mesmo diante da ameaça de morte e dos guerreiros convocados para matá-lo, o Thorfinn insiste na paz e na coexistência.
É nesse momento que ele solta a frase icônica: "Eu não tenho inimigos". Ver o ancião surpreso ao perceber que esse era o caminho ensinado pelo Grande Espírito que o seu próprio povo venerava foi sensacional. O momento em que o ancião admite que estava errado ao iniciar a guerra e ajuda Thorfinn a restaurar a paz resume perfeitamente tudo o que o autor quer nos ensinar.
Conclusão: O Verdadeiro Guerreiro
Hoje, eu vejo que o Thorfinn não ficou fraco; ele se tornou a personificação do que o pai dele, Thors, sempre quis. Vinland Saga é uma lição sobre persistência e sobre o caminho mais difícil de todos: o da paz.
Se você, assim como eu, se decepcionou no início da segunda temporada ou abandonou o mangá por achar "parado", faça um favor a si mesmo e dê uma segunda chance. Às vezes, a gente só precisa crescer um pouco para entender a grandeza dessa história.
E você? Também teve essa fase de "ranço" com o Thorfinn ou entendeu ele de primeira?
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Vinland Saga Vol 1






